Desde 2003, tornou-se obrigatório o ensino de Histórias e Culturas Negra e Africana nos currículos dos ensinos fundamental e médio de todo o Brasil. Esperamos que essa blog, possa ajudar os professores a inserirem esse conteúdo em sala de aula, como conteúdo de programação pedagógica e uma prática diária nas relações pessoais ao longo de todo o ano letivo.
Portugal foi responsável pela maior
emigração forçada da história da humanidade. De Angola chegou ao Brasil
um número 10 vezes superior de escravos comparado à America do Norte.
Este documentário, sobre o passado colonial do Brasil, foi realizado em
2000 por Phil Grabsky, para a BBC/History Channel. Ganhou um Gold Remi
Award no Houston International Film Festival em 2001. Uma verdade
inconveniente da história do Brasil e de Portugal.
Enquanto todo o mundo conhece a história
da escravidão nos EUA, poucas pessoas percebem que o Brasil foi, na
verdade, o maior participante do comércio de escravos. Quarenta por
cento de todos os escravos que sobreviviam à travessia do Atlântico eram
destinados ao Brasil, quando apenas 4% iam para os EUA. Chegou uma
época em que a metade da população brasileira era de escravos. O Brasil
foi o último país a abolir a escravidão, em 1888. O documentário tem
depoimentos dos historiadores João José Reis, Cya Teixeira, Marilene
Rosa da Silva; do antropólo Peter Fry e outras pessoas que contam
os efeitos de séculos de escravidão no Brasil de hoje. Este é um
importante documentário sobre a história dos negros, história africana e
estudos latino americanos.
Vencedor do Festival É Tudo Verdade
de 2001, o documentário traz à tona a história das lutas dos atores
negros pelo reconhecimento de sua importância na história da telenovela
brasileira. O filme é enriquecido ainda mais com depoimentos de atores
como Milton Gonçalves, Ruth de Souza, Léa Garcia, Zezé Motta e Maria Ceiça, entre outros, que contam suas experiências e discutem o preconceito contra artistas negros. O diretor Joel Zito Araújo,
baseado em suas memórias, e em uma minuciosa investigação, analisa as
influências das telenovelas nos processos de identidade étnica dos
afro-brasileiros. Junto ao documentário, o autor lançou no mesmo ano
(dezembro de 2000) o livro "A Negação do Brasil – o negro na telenovela
brasileira" pela Editora Senac.
Material para ser utilizado como recurso audiovisual nos Ensinos
Fundamental e Médio para introduzir as temáticas de História e Culturas
Africanas e Afro-brasileiras.
WEBQUEST:
O
vídeo ‘África na Escola’ traz diversificadas informações relacionadas à África e
à História e às Culturas Afro-brasileiras:
·Diversidade da
África;
·A presença ou
ausência do Negro na História do Brasil;
·Importantes
personalidades Negras brasileiras;
·Manifestações
culturais e religiosas afro-brasileiras;
·Manifestações
políticas e reivindicativas dos Movimentos Negros.
A
partir disso e de informações que podem ser encontradas na internet,
nos sites sugeridos e relacionados, reúnam-se em grupos de 3 a 5
alunos para realizarem duas das seguintes tarefas
abaixo:
*Tarefas:
1- Pesquise
sobre África trazendo
imagens de um país africano e as seguintes informações:
·História:
atualidade, história recente, história antiga...
·Geografia:
(localização no continente, clima, vegetação, população...)
·Língua(s)
·Etnias
·Religiões
Sites para
pesquisa: http://pt.wikipedia.org; suapesquisa.com/paises/paises_africa.htm; brasilescola.com/geografia/paises.htm
2-
No vídeo aparecem fotos de várias personalidades Negras que fizeram parte da
história do Brasil. Algumas só são conhecidas em círculos e grupos sociais e
culturais específicos. Outras, estudamos e/ou já ouvimos falar bastante a
respeito, mas não sabíamos sobre o fato de serem
Negras.
Pesquise fotos de brasileiros Negros e Negras
presentes na história, na política, na cultura, na arte, na música, na
literatura ou nas religiões do Brasil (podendo ser um dos que aparecem no vídeo
ou outros)
Escolha um deles para trazer dados sobre
·Biografia
·profissão;
·legado/obra;
·outros
- Pode
ser utilizado para consulta os vídeos ‘Heróis de todo Mundo', do Canal Futura
disponibilizados no youtube 3- Busque na
web pelo recurso ‘imagens’ e ‘vídeos’ uma manifestação cultural
e/ou religiosa afro-brasileira (ex: jongo, capoeira, maracatu, congadas,
caxambu, tambor de mina...), e encontre nos sites sugeridos as
seguintes informações:
4-Pesquise sobre
uma manifestação política e/ou reivindicativa dos movimentos sociais negros (ex:
cotas, direitos religiosos, mulher negra, beleza negra...), e encontre nos sites
sugeridos as seguintes informações:
·contexto
histórico da reivindicação;
·preconceitos e
desigualdades sociais que geraram a reivindicação;
·dados sobre a
discussão atual do assunto;
·outros
sites para pesquisa:
palmares.gov.br; dialogoscontraoracismo.org.br; politicasdacor.net; educafro.org.br
*Elaboração e Apresentação do
Trabalho:
Trabalho
impresso: Cada grupo deverá entregar um trabalho com entorno de 10 páginas que
traga as informações solicitadas de forma clara e bem estruturada, contendo uma
introdução, dois capítulos (um para cada questão), e uma
conclusão.
Devem
ser incluídas imagens que ilustrem as informações trazidas devidamente
relacionadas e justificadas.
Na conclusão
(parte final do trabalho), todos os grupos deverão elaborar um texto em torno de
uma página no qual reflitam de que forma, em sua pesquisa encontraram a África
ou as manifestações afro-brasileiras sendo retradas de forma ‘generalizada’,
‘folclórica’ e ‘estereotipada’, conforme sugere o vídeo. E tragam
uma ou mais imagens e trechos de textos ( encontrados na internet) onde podemos
facilmente visualizar esse aspecto, e expliquem o porquê.
Apresentação:
Cada grupo deverá elaborar um material de áudio, visual e/ou audiovisual:
vídeo, apresentação de slides, cartazes e/ou uma dinâmica: ...
para apresentar aos demais colegas as informações
apreendidas
*Avaliação:
Cada grupo será
avaliado pela sua capacidade de:
·encontrar as
informações solicitadas;
·refletir sobre
as informações encontradas;
·Relacionar com
as ideias e questões trazidas no vídeo ‘África na Escola’;
·E expor,
explicar e argumentar suas conclusões aos demais colegas da turma.
Excelente para trabalhar com diversidade cultural em sala de aula.
Na África Ocidental, nasce um menino minúsculo, cujo tamanho não alcança nem o joelho de um adulto, que tem um destino: enfrentar a poderosa e malvada feiticeira Karabá, que secou a fonte d'água da aldeia de Kiriku, engoliu todos os homens que foram enfrentá-la e ainda pegou todo o ouro que tinham. Para isso, Kiriku enfrenta muitos perigos e se aventura por lugares onde somente pessoas pequeninas poderiam entrar.
"Vista a Minha Pele" é uma paródia da realidade brasileira.
Serve de material básico para discussão sobre racismo e preconceito em sala de aula.
Nesta história invertida, os negros são a classe dominante e os brancos foram escravizados. Os países pobres são Alemanha e Inglaterra, enquanto os países ricos são, por exemplo, África do Sul e Moçambique. Maria é uma menina branca, pobre, que estuda num colégio particular graças à bolsa-de-estudo que tem pelo fatode sua mãe ser faxineira nesta escola. A maioria de seus colegas a hostilizam, por sua cor e por sua condição social, com exceção de sua amiga Luana, filha de um diplomata que, por ter morado em países pobres, possui uma visão mais abrangente da realidade.
Maria quer ser “Miss Festa Junina” da escola, mas isso requer um esforço enorme, que vai desde a superação do padrão de beleza imposto pela mídia, onde só o negro é valorizado, à resistência de seus pais, à aversão dos colegas e à dificuldade em vender os bilhetes para seus conhecidos, em sua maioria muito pobres. Maria tem em Luana uma forte aliada e as duas vão se envolver numa série de aventuras para alcançar seus objetivos. O centro da história não é o concurso, mas a disposição de Maria em enfrentar essa situação. Ao final ela descobre que, quanto mais confia em si mesma, mais capacidade terá de convencer outros de sua chance de vencer.
A obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nos ensinos fundamentais e médios, por muitas décadas e séculos, foi almejada pela luta de resistência africana e afro-descendente no Brasil. Hoje é uma realidade legal através da lei 10.639. Apesar de estar em vigor desde 2003, sua aplicação ainda é muito incipiente no cotidiano escolar. Até mesmo o dia da consciência negra é de pouca expressão ou inexistente do cronograma das escolas e dentro das salas de aula. O 20 de novembro é um dia instituído nacionalmente como dia da consciência negra, data em que Zumbi lutou até a morte pela liberdade de seu povo.
Arrancados à força de suas sociedades originais, os africanos também foram proibidos por lei de acessar mesmo a educação eurocêntrica até algumas décadas atrás, sendo que ainda no século 20, mesmo que não sendo proibida, alguns professores ainda poderiam optar por educar ou não uma pessoa negra. Se não fossem as reivindicações e conquistas por cotas étnico-raciais, os negros ocupariam ainda 2% das vagas nas universidades públicas.
Quando se exclui uma camada social que possui uma determinada origem também se desqualifica os seus valores, cultura, hábitos e tudo que estiver relacionado a ela. No caso, quando se joga para as periferias ou morros as pessoas de descendência africana, se faz um duplo trabalho de opressão e extermínio: o físico (tanto em termos de invisibilidade como de mortandade, visto a inacessividade a recursos financeiros, de saúde, entre outros); como também se busca eliminar a bagagem sócio-histórica e cultural desse grupo. Se não se consegue eliminar totalmente, passa a ser de segunda, terceira, ou quinta categoria, sejam as pessoas, sejam suas culturas e ancestralidades.
Nesse sentido, para haver uma real inserção da cultura e da história africana e afro-descendente na realidade escolar e social brasileira, se deve pensar criticamente sobre a posição e papeis que foram impostos às pessoas negras e o que foi feito com sua auto-estima pessoal e social, durante séculos de exclusão e desqualificação.
Na construção das formas de aplicabilidade da lei 10.639, sejam em espaços escolares, sejam em situações educacionais extraclasse, deve-se tomar o cuidado constante de que essa aplicabilidade não venha descolada do contexto histórico e atual em que as relações humanas racialmente discriminadoras se dão. Nesse sentido, devemos também levar em conta que tipo de materiais didáticos e pedagógicos se utiliza para a construção e transmissão desse conhecimento. Trataremos a história africana da mesma forma que a história ocidental? A mesmas estruturas de pensamentos e exposição eurocêntricas serão usadas para falar das culturas e pensadores africanos? O conteúdo a ser passado deverá atender a um molde científico também de padrão ocidental?
A África é o continente onde se originou a vida humana, a origem das civilizações, do conhecimento se deram nesse continente, assim como inúmeros pensadores, intelectuais, cientistas e sábios com outras denominações não muito aceitas como referências acadêmicas. Nó último século, são inúmeras as referências de intelectuais, de diversas áreas, africanos e da diáspora negra que podem tornar possível que se construa não só materiais didáticos, como também formas realmente afrocentradas de aplicabilidade da lei.
Quando um afro-descendente toma conhecimento sobre as importantes figuras que fazem parte da história, culturas e lutas negro-africanas, ele passa a ter referências de possibilidades sobre sua própria vida, isso influencia em sua auto-estima, em suas decisões, no rumo que sua vida pode levar. É isso que de fato acarretará mudanças se esta lei for de fato aplicada.